O teu casaco vermelho,
rompendo na aurora
sobre o verde do teu mundo.
Numa pintura só
toda a tua forma
cobre-se de fantasia.
Longas sombras
projectadas no átrio
de um romance perdido.
Todo o teu ser resplandece.
sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Numa pintura só, a tua forma
Síncope
Quero que saibas:
num pranto a chuva desce
e molha o que resta
dos pneus do carro.
Compraste a vida às prestações.
Um abrigo para além das dunas
Palmeiras
num oásis distrital,
que alberga a fome
muda e áspera
nos negativos queimados.
De nuvens a nuvens
um fio percorre
uma mão que surge,
nuvem do desconhecido,
vector silábico.
Impresso na pedra
a minha voltaica determinação
corta como quem chora
em absoluto.
E em manchas pictóricas
chamam-me mandarim.
Ilhas Caimão
Deutsche Welle
a tratar de assuntos
sobre presos
no ártico.
Grande recife de coral
a descer a montanha
abrindo asas
em múltiplos desenhos orquestrados
na sublime escarpa do teu corpo.
Ghola
Guardei rancores infinitos.
Dobrei espadas.
Comecei do zero,
na vertigem
Fumos pós opióides
delimitam a sala
onde cortinas desmembradas
percorrem adversas
pelo chão-tecto.
Puxo a argola:
O alçapão contém mármore.