Estou a tentar processar o que ocorreu nestas duas últimas semanas. Estou em crer que nada. Têm sido dias de inércia. Tão pouco fui caminhar. No estado desassossegado em que estou, nem sair de casa... Lembro-me que há um mês fui a uma consulta na psicóloga; da viagem aos antípodas que eu fiz - e da sensação algo atribulada que senti depois de semanas imerso: como se a luz da cidade se abrisse em dois. É extraordinário porque o tempo às vezes não é mais estático. Muito singular. Não estou propriamente a divagar, até porque li sobre esse aspecto particular algures. Entretanto, e porque tinha assuntos a tratar, fui no autocarro para o lado mais longe da cidade. Foram provavelmente duas horas de viagem, entre resolver o que havia para resolver, retomar a viagem e voltar para casa. Foi quando me apercebi que estávamos em hora de regressos, mesmo ao final do dia. Eu sentia surpreso o fervilhar da cidade. Sentia, enfim, uma espécie de gozo. Como num carrossel. Cheguei em casa e foi como se tivesse agigantado, tal a benesse das propriedades da luz. Para me afunilar em casa e no escuro. Desde então nada tenho feito. Uma inércia abate-se sobre mim. Em quinze dias encerrado no meu subterrâneo nada de produtivo teve evento.
SERPENTE DE PEDRA
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Pressão bárica
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Matyas
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Campo di Marte
Um campo
Marte chega.
Senti que a água
num pranto calculado
me corria nas artérias.
Volumes imensos
siderais
fractura negra
avanços cénicos
pela ombreira da porta.
A porta hermética.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
Desporto de inverno
Na estrutura
uma marca epidural
e dentro uma balança mede
opostos
No odor puro
um tríptico de ordenamento
de território e dura-máter
domingo, 7 de dezembro de 2025
Izu-Bonin-Mariana
Sabes que o peso do mundo
te consome ao descoberto
submetido à pressão
de 10984 metros
um furta-fogo
que aponta
para a imensidão negra
da fronteira convergente
O teu torso um batiscafo
à beira do percipício
estalado pela amarga fossa
Um submarino resvala
para além das Marianas
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
Chá de jasmim
Leio os Textos Malditos
do Luiz Pacheco
Um chá de jasmim escorre
refresca-me a garganta
das palavra que não falo
Uma China concebida
através de mesas desinformadas
papéis e lume
textos.
Perco-me por breves
que são os momentos
uma dispersão atávica
num chão imenso de calçada escura.