quarta-feira, 4 de maio de 2016

A cidade por detrás da cidade


  Por detrás da cidade havia outra cidade e por vezes estas cidades intercalavam-se. Uma abraçava a outra e tudo o que continham fundia-se para dar lugar a uma nova invenção: A continuação da sequência aldeia-vila-cidade. Uma cidade terrivelmente extensa. Uma cidade dentro de uma cidade.
  As luzes dançavam de forma híbrida no céu coberto de noite. Os seus habitantes sabiam que era uma espécie de sinal. Sinal que as fusões - corpo com corpo, seres únicos hermafroditas - os tranformariam em aberrações temporárias. Mutações andantes com várias deformidades.
  Os fumos que povoavam os canais aquosos nas periferias do monstro cidade tornavam-se nevoeiro denso. Dois fumos dentro de dois fumos dando lugar a uma nova criação: Uma massa de nevoeiro irrespirável que impedia a descoberta do segredo das cidades.
  Ao longe as cidades intercaladas não se pronunciavam na paisagem. Depois voltavam a ser uma cidade por detrás de uma cidade. Os seus habitantes separavam-se. E uma náusea, como desmame de uma droga, permanecia durante dias.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz ano novo

A todos aqueles que pacientemente têm seguido este blogue, e aos outros todos também, desejo um feliz ano novo. Mas não vos esqueceis: O tempo é uma ilusão. O ano passa de acordo com o nosso calendário e o nosso calendário é apenas uma invenção do Homem. Além disso certos calendários nem são iguais ao que se aplica no ocidente.
Eliminando os calendários existentes no planeta, em que tempo nos deparamos? O dia é apenas dia. E a noite é apenas noite. Só isso. Nada mais.
Amanhã será 2016 e o mundo continuará perfeitamente igual.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Toco com os dedos na noite


Toco com os dedos na noite. Sem gritos a humidade escorre pelos telhados de metal. Toco com os dedos na noite sem gritos e absorvo todo o silêncio esculpido maravilhosamente na cortina do hotel. Toco com os dedos na noite: toco com os dedos na noite. Sinto a ansiedade trepar pelas paredes do estômago em flecha esófago acima até a um sistema nervoso manchado de bugs do momento. Serão quatro da manhã em menos de nada e por um segundo toco com os dedos na noite, altas chamas, ruídos-partículas-aires em extrema velocidade. Toco com os dedos na noite. Jamais tocaria a noite em mim.

domingo, 8 de novembro de 2015

O silêncio de um espaço inocupado

Quando era miúdo apreciava o silêncio em espaços vazios. Por vezes dava por mim a contemplar os meus pensamentos, durante minutos, embrenhado numa solidão inspiradora. Havia um certo conforto em permanecer num quarto, numa sala ou noutra divisão qualquer onde não existissem interrupções.
Agora que sou mais velho volto a aprofundar esse gosto. Talvez isso também seja influência na minha arte.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

To study the Buddha way

“To study the Buddha Way is to study the self. To study the self is to forget the self. To forget the self is to be actualized by myriad things. When actualized by myriad things, your body and mind as well as the bodies and minds of others drop away. No trace of enlightenment remains, and this no-trace continues endlessly.”
- Dōgen Zenji (道元禅師)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Mensagem a um mundo momentaneamente insípido

Ódios profundos.
Atentamente,
Eduardo Cardoso

terça-feira, 5 de maio de 2015

Profundamente desolado