terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
Mitologia chinesa: mutações
Sobre um planalto de astros, uma figura
Não posso ver
as estrelas
nem o que se esconde
no universo
não posso ver
outros planetas
Há um
fio-consciência
que me impele
a venda cai
e na revelação
obra fictícia do
que posso ver
sábado, 4 de maio de 2024
Ordenamento de território astral
Encontrei um deus no microondas
encontrei a tua mão
encontrei tudo menos o universo
Um gajo finge que move a cadeira
e os astros ordenam-se em novas formas sublimes
Volumes inebriantes para geografias opostas
Na poeira do deserto
te perdi
para sempre
Para além do Báltico
deserto em chamas
ruína fervilhante
neblina persa
Um presságio atravessou-me a mente
e um pássaro fez o ninho
descalço e intrépido
colocou raízes nas pontas
domingo, 28 de abril de 2024
Curtas numa noite nuclear
Num aglomerado estratégico
lã, cabelo
esmeralda, topázio
enquanto vias curtas metragens
As sombras dizimadas acercavam-se
dos teus pés
a teus pés
astutos
repletos de mágoas perecíveis
Cobriste o corpo com os lençóis
sem perceber que já dormias
em viril dramatização
Num sacrifício platónico
a génese de uma cena atómica
sábado, 27 de abril de 2024
Uma década e um ano depois
Em Maio a Serpente de Pedra faz 11 anos. Nunca imaginei que chegasse tão longe. A ideia inicial era fazer deste blogue um espaço colaborativo onde entrasse de tudo um pouco. Mas acabou por se afunilar e é dedicado hoje muito à poesia.
Quero agradecer a todos os que têm acompanhado a Serpente ao longo deste tempo, aos visitantes esporádicos, aos que colaboraram e aos que possam a vir colaborar.
Vamos ver se dura mais 10 ou 11 anos. Estaremos cá para ver.
Cordial abraço.
domingo, 21 de abril de 2024
A fuga ou a génese de um eco cosmológico
Se num momento o tempo parasse
sabias que nos moldes
onde me encontro
haveria um espasmo
um big bang inebriante
planetas dispersos na face
E nesse espasmo um universo
nessa face oculta esferas rochosas
capa dura ad astra
capa mole celeste
abertura ao abismo