Na estrutura
uma marca epidural
e dentro uma balança mede
opostos
No odor puro
um tríptico de ordenamento
de território e dura-máter
SERPENTE DE PEDRA
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
Desporto de inverno
domingo, 7 de dezembro de 2025
Izu-Bonin-Mariana
Sabes que o peso do mundo
te consome ao descoberto
submetido à pressão
de 10984 metros
um furta-fogo
que aponta
para a imensidão negra
da fronteira convergente
O teu torso um batiscafo
à beira do percipício
estalado pela amarga fossa
Um submarino resvala
para além das Marianas
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
Chá de jasmim
Leio os Textos Malditos
do Luiz Pacheco
Um chá de jasmim escorre
refresca-me a garganta
das palavra que não falo
Uma China concebida
através de mesas desinformadas
papéis e lume
textos.
Perco-me por breves
que são os momentos
uma dispersão atávica
num chão imenso de calçada escura.
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Um ritmo constante onde as palmeiras secavam
Armadilhei os dentes de pregos
para afastar as estrias
de um sonho emergente
Quando finalizava a tarde
um tom laranja enfurecia os meus olhos
uma lágrima rastejava na gravilha.
Agora eu era um metamorfo
um âmago profundamente alterado
um arquétipo sem estrutura
uma mancha de petróleo
onde os pássaros não ousam pousar.
Rio Volga
Quando partias
fingias que voltavas
e nos destroços da tua partida
o olhar fixo dos leões
as malhas do perigo
Quando partias
deixavas só a certeza:
um prédio devoluto
de emoções expressas na carne
e todo aquele frio
o gelo infiltrado nos ossos
vincava com violência
os estilhaços de uma personalidade.
quarta-feira, 26 de novembro de 2025
Fotografia semântica
Em torno do sol
um grilhão
Em torno da água
um vidro
Em torno de Júpiter
uma imensidão negra
Fotos inexprimíveis sobre
um canavial em chamas
No começo, uma obra quase divina
No começo havia
indescritíveis formas ternárias
um palimpsesto
um nível fotovoltaico
Na margem estava escrito
que os teus olhos rompiam
o que restava da alvorada