segunda-feira, 19 de maio de 2014

A Armadilha Das Publicações Neo-Espirituais.

Deparei-me com um excerto de um livro, daqueles novos de auto-ajuda, que abordava a meditação. Tenho uma certa apatia por livros do género. Alguns até nos oferecem conselhos úteis. Mas no geral estão cheios de neo-espiritualismos pouco convincentes.

Neste excerto lê-se duas coisas: "meditação Zen e Zazen" e "meditação Budista". Isto pode ser muito confuso e enganador. Especialmente para quem não tem conhecimento sobre as religiões e o pensamento oriental.

O autor distingue dois tipos de meditação no primeiro ponto: Meditação Zen e meditação Zazen. Podemos assim assumir que ele está a separar Zen de Zazen. Como se fossem duas formas de meditação diferentes. Mas na realidade estão ambas interligadas.

A palavra Zen () significa meditação. É a tradução ou adaptação japonesa da palavra chinesa Ch'an (), com o mesmo significado. Que por sua vez é a tradução, para o chinês, do sânscrito dhyāna.

A palavra Zazen (坐禅) significa meditação sentada, em japonês.

Portanto, meditação Zen é a pratica com técnicas e formalidades próprias, desenvolvidas por monges budistas pertencentes à escola com o mesmo nome: Escola de budismo Zen (falando no geral porque dentro desta escola existem vários ramos de ensinamento). Zazen é uma parte da meditação Zen e significa que essa meditação é praticada sentada (pois existe também a forma de meditação de pé).

No segundo ponto o autor fala-nos em meditação Budista, dando a ideia de uma coisa diferente da meditação Zen. Isto é de uma confusão tremenda. Porque ao dizer meditação Budista já está a englobar todas as técnicas de todas as escolas Budistas incluindo a escola Zen. É como se diferenciasse, por exemplo, a natação do desporto, dizendo "existe a natação e existe o desporto". No entanto são a mesma coisa.

Esta confusão toda resume-se ao facto de no ocidente esta última palavra estar corrompida e mal utilizada. Agora tudo é Zen. Isto cria a ideia de separação da sua verdadeira raiz.

Devido a estas distinções confusas, tomo o livro abordado como pouco fiável. Numa época em que já qualquer coisa é publicada, muitas vezes sem qualidade nenhuma, é preciso estar-se mais atento ao que se lê. Muito cuidado com estes livros de auto-ajuda. Pois uma grande parte está cravejada de contos do vigário.

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