segunda-feira, 20 de maio de 2013

A Solidão Como Forma De Liberdade

"2. The origin of suffering is attachment."
- The Four Noble Truths.

Ser-se solitário não é a mesma coisa do que estar sozinho. Penso que quando estamos na condição de "sozinhos" a melancolia é eminente. O sentimento de inferioridade tende a surgir pois há a sensação de existir rejeição por parte de alguém próximo, por parte da sociedade, etc.

Por sua vez, ser-se solitário é uma escolha. Ser-se solitário por opção não envolve essa desgraça e esses olhares de pena que a população transmite. Ser-se solitário é uma forma de liberdade. Uma forma de dizermos "não" a relações que não nos trazem benefício nenhum. É fazer o que queremos e como queremos, no nosso próprio espaço, sem que haja alguém em cima de nós para aprovar ou desaprovar.

Além disso ser-se solitário não implica estar só, no sentido de não ter ninguém. Continuamos a ter com quem falar. Continuamos a ter a nossa família e amigos. Continuamos a comunicar com a sociedade.

Ora o ponto onde eu queria chegar está relacionado com as relações amorosas. A maioria das pessoas assume que existe a obrigatoriedade em ter-se uma relação amorosa com alguém. Se não estamos envolvidos com outra pessoa somos logo coitadinhos. Falhados no que quer que seja. Uns frustrados e por aí em diante. Um pensamento um tanto limitado pois não tem que ser necessariamente assim.

Uma relação amorosa é um apego a uma pessoa. Envolve o desejo. Logo é uma forma de sofrimento. Tal como os budistas, as pessoas ligadas à via do minimalismo tendem a eliminar o sofrimento das suas vidas. No entanto o que as pode diferenciar dos budistas é o facto de elas verem as relações amorosas como um obstáculo. O romance uma chatice inibidora da exploração mental e espiritual e da progressão do conhecimento do seu próprio ser.

(O isolamento dos monges budistas tem como finalidade o mesmo caminho de exploração e conhecimento acima descrito. Porém não vamos enveredar por aí pois teria que se desenvolver extensamente esta publicação, o que provocaria uma perda de sentido.)

Assim alguns solitários minimalistas não têm interesse no amor. O seu objectivo na vida é outro. O amor torna-se um entretenimento vulgar. Um entrave. Uma distração.

Escolher este caminho requer um espírito forte. Por isso poucos são os que voluntariamente o seguem.

"Loneliness expresses the pain of being alone and solitude expresses the glory of being alone."
 - Paul Tillich

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